quarta-feira, 29 de março de 2017

todo dia
pisava em ovos

tenha muito cuidado!
ha um ovo pelo caminho
um não, vários
dentro do sapato
no tapete da sala
na festa da família
na fila da padaria
no caminho do moura até a didática 5
da sua casa até a dela

muito cuidado
pra não
quebrar
os ovos
!

certo dia
num tropeço
um descuido
passou um sorriso
que reluzia
lhe clareou a vista
mas ela
coitada
pisou no ovo
e dessa vez
não teve jeito
quebrou
e agora?

sem desespero, mulher
fazer o que?
botou o ovo pra fritar
na manteiga de fazenda
comeu com cuscuz
e leite
e que delícia ficou.

mais ovos viriam
não tinha mais medo
de quebra-los
se preciso fosse
se se distraísse, apenas
poderia ser bem gostoso até
correr o risco

quinta-feira, 2 de março de 2017

por que não ha o amor
do mundo todo
de ser um só
e então curar
toda a doença
do próprio mundo
trazer conforto
e um pouco de paz
como sendo o abraço da terra
como é de fato
ao invés de fragmentar
e cavar tantos buracos
em nossos corações
e atar-nos em tantos nós
enquanto nos preocupamos
somente
em sermos livres

-não quero
estar presa
à escolha
entre o meu e o seu amor-
por que não podem
enfim
ser um só?



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

mergulho
neste
ocê ano
e me afogo
quando tento
respirar
outro ar
se não o que sai
da sua boca

me mato um pouco
toda vez
mas logo volto
pelas beiradas e

mergulho

até

o

fundo


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

ouvi dizer
que o coração de cada pessoa
bate num ritmo diferente
próprio
necessario
e essencial
(de dentro pra fora)
imagine só que bela orquestra
toca a humanidade 
vai saber se é verdade
não entendo a ciência das palpitações
ou a anatomia do coração
(não entendo nada)
mas posso afirmar
racional e empiricamente
em qualquer revista acadêmica
fila de banco
ou mesa de bar
que a sua
é a mais bonita
da terra
ainda mais
quando descompassa
acelera o ritmo 
com minha respiração
na sua orelha
e em seguida desacelera
afunda-se em um sonho límpido
(do qual não se lembra)
e cada vez que 
me desafia
a que eu me mantenha no tom
desafino
erro meu próprio tempo
me confundo
perco o compasso
chego a dois milhões
e até mesmo zero
batidas por segundo
(no mesmo segundo)
desafino
e entao me entrego
a nossa sinfonia
desatinada

-não haveria
hoje
no mundo
batida mais harmônica-

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

eu te vejo nessa bolha
a que eu vou me meter
a que eu vou estourar

mas só no dia
que tiver coragem
de dizer que te amo
com a mesma boca
que nunca falou
que tem medo
de te perder


se você soubesse
o tanto de espaço
que ocupa em mim
(cabeça, coração,
glândulas sudoríparas
entre outras...)
entenderia o porquê
de eu parecer chapada
e não conseguir responder
às questões mais óbvias
e assim te dar riso
ou quem sabe agonia

eu te vejo nessa bolha
e fico na minha